Babà Milton ti Òiyà

Babà Milton ti Òiyà

Perfis Associados

Site: www.aseoiyafuninika.com.br
Facebook: www.facebook.com/baba.miltontioiya

É Kààbó Ónilè Òiyà - "Sejam bem vindos ao mundo de Iansã!"

MISSÕES VISÕES E VALORES

1. Desenvolver o crescimento religioso Afrobrasileiro.

2. Propagação de suas Divindades - Os Orisás.

3. Conscientização da devida utilização dos Recursos Naturais - fauna, flora e hídricos.

4. Divulgar o Candomblé com Religião de Matriz Africana reconhecida pela Constituição Brasileira.

5. Estimular dentro dos conceitos Candomblecistas, o crescimento e equilibrio espiritual em seus seguidores e adéptos.

“Héèpà, Oiya Olómo Mesan, Ibá Re Ò!” Eeepa Oiya, que tem nove filhos, eu te saúdo!

“Héèpà, Oiya Olómo Mesan, Ibá Re Ò!” Eeepa Oiya, que tem nove filhos, eu te saúdo!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Raízes de Babá Milton - Djeji Nago Vodunce - O início

Babá Milton foi iniciado numa casa Djeji pelo Doté Mario ti Besen em 11 de outubro de 1987 no Jardim Ingá-GO, entorno do DF no antigo Asé Ile Airá. Foi um barco composto de uma Oiyá (Babá Milton) e uma Opará (sua cunhada Mariangela Madeira). Foi inclusive o primeiro Iyao de Doté Mário em Brasilia. Estiveram em sua saída Babá Lilico ti Osun, Finada Iyá Janeth ti Onira (sua madrinha de Omoruncó) dentre outros. Doté Mário informou a Babá Milton pertencer as raízes de "Tata" Fomutinho ti Osun. Segue informaçoes sobre esse tão ilustre Sacerdote.

Tata Fomutinho de Osun


Antonio Pinto de Oliveira (Tata Fomutinho d´Oshum) foi o primeiro homem a ser iniciado no culto aos Voduns por Gaiaku Maria Angorense em 25 de dezembro de 1913, Depois de iniciado ele participava como pai pequeno numa casa de angola onde era chamado de Tata, daí o nome com o qual é famoso até hoje.


Veio para o Rio de Janeiro em 1930 e aqui criou sua Roça de Santo, inicialmente no bairro de Santo Cristo, mudando-se depois para Madureira e depois para São João de Meriti.


Tata Fomutinho sem dúvida foi uma pessoa notável e que adquiriu ao longo do tempo muitos filhos de santo,(os quais serão citados nos tópicos) mas veio a falecer em 26 de junho de 1966. Dele ficou, além da lembrança, um legado religioso inestimável, preservado por aqueles que por ele foram iniciados dentro do Asé Jeje-Manhi.


Doté Antonio Pinto de Oliveira , foi um dos membros recolhido no 2º barco do Kwe Sèjá Hundè a saída foi no dia 25 de dezembro de 1914. Este barco era composto de cinco voduns e dois ogãns. Deste barco fazia parte o nosso saudoso ANTONIO PINTO DE OLIVEIRA (FOMOTINHO) D’Osun, mais conhecido como "TATA FOMOTINHO" Arroboboi Aziri!!!! No ano de 1930 Tata Fomutinho chegava ao Rio de Janeiro na Rua do Bispo, graças a Marcelino de Sango e Josefa D’Ogun, fez o vodum de SEBASTIÃO DA PRATA (Babá Beija-Flôr). Em 1936, Tata Fomutinho fundava seu próprio Asé na Estrada do Portela 606, o KWE SÈJÁ NASSÒ, podemos ainda citar alguns de seus filhos: Luzia de Anãe, Luzinete de Vodun Jó, Arlete de Ajelain, Jorge de Abé (Jorge de Yemonjá (Kwe sèjá Tessi), não podendo esquecer de Djalma de Laalu, Almerinda de Otolu, Leandro D'Ogum, Berenice de Agé, Zé Macuco, Jorge de Otolu, Hilbertt de Azauane também pertencia ao Asé de Fomutinho, Zezinho da Boa Viagem, Olegário de Otoolu, Esmeralda de Sango, Arlete de Iansã, Ivan de Iansã entre outros.

Babá Milton ficou vinculado muito pouco tempo a Nação Djeji. Vindo a se ligar posteriormente ao Asé Alaketu (sua atual Nação), qdo tomou 03 anos. Tomou posto de Sacerdote com a Iyalorisá "Mundinha" de Odé Ile (Salvador-BA), filha de Lazinho de Osogia (Asé Opo Afonjá). Passou Asé (Odu Ijé) com o Babalorisá Djair ti Logunede (Aguas Lindas-GO) e tomou Odum Merinlá (14 anos) com o Babalorisá Renato ti Logunede do Asé Odé Omilode (Uberaba-MG). Asé O! Eepa Heei Oiyá!!!(Babá Milton ti Oiyá)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Ancestralidade e Respeito

ANCESTRALIDADE

Segundo e dentro do Asé Osumaré

Conceitos

Nas culturas Yorubá-Nagó a vida não se finda com a morte.
Àtúnwa, é o nome dado ao processo divino de existência única: a continuidade da vida.
Olodumarê , o supremo Deus Yorubá no momento do nascimento oferece aos homens um conjunto de forças sagradas que possibilita a vida. São elas:

• Ara: o corpo físico vindo da lama.
• Ese: elementos do organismo humano.
• Okan: coração físico e espiritual - órgão que centraliza o Poder de vida e sede da inteligência, do pensamento e da ação.
• Ojiji: essência espiritual.
• Emi: o sopro divino de vida.
• Ori: a individualidade e a identidade.
• Odu: o destino e o caminho a ser percorrido.
• Asé: força movimentadora da vida.
• Orisá: guardião de cada existência humana.

Todos estes aspectos não morrem...
Voltam as suas origens, isto é, ao Orun, pois pertencem a Olorun
E só ele pode liberá-las.
Estas forças divinas, animaram os antepassados, os ancestrais, as raízes mães do Asé Orisá, ao partirem do Aiyê e voltam ao Aiyê para animar seus descendentes e discípulos.
Esta é a grande responsabilidade de todos que descendem do Asé Osumaré: dar continuidade na obra de nossos antepassados, pois todos somos animados pelas forças divinas que um dia Animaram nossos Ancestrais.
A ancestralidade confirma a imortalidade, pois a vida continua no Orun como ancestrais.
Do Orun, a ancestralidade a tudo assiste.
No culto de Orisá, Ancestrais significa:
"Aqueles que um dia tiveram a energia de vida no Aiyê e que cuja energia de vida é repassada as novas gerações, garantindo a continuidade da vida e do culto aos Deuses Africanos. "
Como conclusão a vida presente depende da vida passada de nossos ancestrais.
Mojubá.


Biografias

Iyalorisás e Babalorisás do Ile Asé Osumare

Babá Antonio de Osumare
Fundador do Ile Axé Oxumare.

Sabe-se que era escravo/crioulo - filhos de escravos africanos nascidos no Brasil. Foi criado por tio Salacó filho de Sangô e foi filho de santo de velhas africanas. Batizado com o nome Antonio Manoel do Bonfim.
Era conhecido como Antonio das Cobras.
Citações bibliográficas indicam Antonio de Osumaré como respeitado Babalorisá após 1875, ano então, que se presume ter vivido, portanto a Casa de Osumaré tem raízes no século XIX.
Era também conhecido pelo apelido de "cobra encantada", em virtude do seu poder como "feiticeiro".
Seu Antonio de Osumare transferiu a sede do terreiro para o atual local que antes era conhecido como mata escura ou linha 15 (trem).
Não há evidências biográficas.

Iyá Cotinha de Iéwá

Chamava-se Maria das Mercês dos Santos e era filha de santo do Babalorisá Antonio de Osumare por quem foi iniciada aos 13 anos de idade.
Irmã biológica de Hilário Bispo de Santos que futuramente terá grande importância para a Casa de Osumare.
Sabe-se que em 1937, surgiu a união das casas afro-brasileiras em Salvador/BA, uma espécie de federação que visava registrar e fiscalizar os terreiros.
Iyá Cotinha de Yewá recusou-se a registrar a Casa de Osumare.
O argumento mais provável desta recusa foi de que Iyá Cotinha de Yewá temia expor a casa de santo e sofrer perseguições do poder público baiano uma vez que na época o Candomblé era uma religião perseguida e discriminada.
Tal acontecimento caracteriza que Casa de Osumare na década de 30, já estava em atividades.
Casada com sr. Arsênio - Ogán da Casa Branca/Ogán de Osogian de Iyá Massi.
Possuía um temperamento tímido e calado. Os antigos, portanto, contam que Yewá resolveu estes problemas, tomando muitas vezes a frente da Casa de Osumaré quando necessário.
Yewá era irreverente, sabia comandar e não tinha "papas na língua", diziam os antigos.

Seu primeiro barco foi composto:
• Dona Baiana - Oba Tosi, que morre com 102 anos;
• Maria da Neves da Encarnação - Oyá Biyi;
Iniciou várias yawôs e ogáns, entre eles podemos citar:
• José Bispo dos Santos - muito conhecido em São Paulo e em todo o Brasil como Pai Bobó;
• Teodora de Iyemonjá - Iyalorisá muito famosa no Rio de Janeiro;
• Nair de Osalá - irmã de Iyá Teodora;
• Egbomy Menininha - mãe de Iyá Teodora;
• Francelina de Ogun;
• Dona Miudinha da Osun;
• Simplícia de Ogun;
• Ogán de Yewá: Urbano, que morre em janeiro de 2001;
• Ogán Cadú - Ogán de Yewá: também falecido recentemente;
• Ogán Garrincha - Ogán de Yewá;
• Maria Silvia de Assis - Ekeji Mariazinha de Osalá;
• Tomazia de Osun;
• Ogán Paizinho - Ogán de Yewá / Otun Alabê;
• Ogán Manoel - Ogán de Yewá / Osi Alabê;
• Ogán Possidonio - Ogán de Yewá / Alabê;
• entre outros.
Morre em julho de 1947.


Iyá Francelina de Ogun

Filha de santo de Iyá Cotinha de Yewá.
Uma ebomy de muitas posses e bem sucedida financeiramente. Gostava muito de jóias e as possuía em grande quantidade.
Comandou Asé Osumare de 1947 a 1954.
Abdicou do cargo de Iyalorixá, passando o comando para sua irmã de santo e afilhada de crisma Simplícia de Ogun.
Acredita-se que a abdicação ocorreu para a Casa de Osumare não sofresse desgastes e conseqüências com sua morte.

Iyá Simplícia de Ogun

Filha de santo de Iyá Cotinha de Yewá e depois sua cunhada, pois vem a se casar com Hilário Bispo dos Santos, irmão biológico de Iyá Cotinha de Yewá.
Era filha biológica de Maria da Neves da Encarnação - Oyá Biyi e foi iniciada aos 14 anos de idade em 1936. Nasceu em 18 de setembro de 1922(?)
Chamava-se Simpliciana da Encarnação e era conhecida como Simplícia do Ogun - Ogun Dekisi.
Vovô Hilário - como era conhecido-, seu esposo, era um homem muito trabalhador e um empreiteiro respeitado em Salvador, mas possuía forte temperamento.
Contribuiu muito com a manutenção, sustento e ampliação da Casa de Osumare e sua fama de homem bravo também contribuiu para a moralidade e disciplina do terreiro.
Herda o trono da Casa de Osumaré de sua irmã de santo e madrinha de crisma Iyá Francelina de Ogun em 1954, com 38 anos de idade.
Seu primeiro ato foi o Amalá de Sangó em 1954 e sua primeira festa foi a Festa de Ogun em 20 de maio de 1955.
Iniciou 44 yawôs, entre eles podemos citar:
• Filhinha do Ogun, sua primeira yawô
• Deusuíta - dofona.
• Leonor de Oxumarê;
• Ana de Ogun;
• Nilza de Ogun;
• Dó de Osayin;
• Cotinha de Osalá;
• Elizabeth de Osalá;
• Deusuíta de Omolu;
• Pérsio de Sangô;
• Ana Laura de Ogun;
• Duzinha de Nanã;
• Bentinha de Ogun;
• Rosinha de Obaluaiyê;
• Zezé de Obaluaiyê;
• Valquíria de Osun;
• Doroti de Yansan;
• Ekeji Angelina de Ososi;
• Entre outros.
Teve cinco filhos: Jutaí Bispo dos Santos, Tânia Maria Bispo da Encarnação, Nilton Bispo dos Santos, Nilzete Austriquiliano da Encarnação e Erenilton Bispo dos Santos, todos iniciados no Asé Osumaré.
Como uma de suas poucas lembranças deixou uma fotografia aonde aparece servindo o Presidente da República Getulio Vargas, documento que comprova a proximidade da Iyalorisá com o Chefe de Estado, momento em que este oferece a oportunidade de algum pedido pessoal a Iyá Simplicia como elogio pela boa qualidade da comida.
Iyá Simplicia não hesita e pede ao chefe da nação:
-"Liberdade de culto ao candomblé".
Morre em 1967, aos 51 anos de idade, depois de 13 anos de chefia no Asé Osumaré, vitimada de um mau súbito cardíaco.

Iyá Dona Miudinha de Osun

Filha de santo de Iyá Cotinha de Yewá herda a Casa de Osumaré após a morte de sua irmã de santo Iyá Simplícia de Ogun.
Era conhecida como Omifunké.
Não ocupou o cargo por motivos pessoais.

Iyá Nilzete de Yemanjá

Chamava-se Nilzete Austriquiliano da Encarnação.
Egbomy Nilzete de Iyemonjá como era conhecida. Nascida em 29 de fevereiro de 1939.
Foi a Iyalorisá mais conhecida da Casa de Osumare.
Filha biológica de Iyá Simplícia de Ogun, assume o comando do Asé Osumare em 1974.
Foi iniciada pelo Babalorisá Manoel Cerqueira de Amorin, Nezinho de Ogun, Ogun Kobé, em 15 de dezembro de 1965.
De temperamento reservado, tímido e muito calado, gostava de ficar no anonimato, mas esta forma de ser acabava destacando-a mais ainda.
Como anfitriã era sorridente, respondia a todas as dúvidas e a todos orientava com sabedoria e humildade.
Uma de suas célebres frases caracteriza seu estilo simples e hospitaleiro:
-"Não repare. Minha casa é simples, mas sempre tem feijão com farinha para todos".
Como Iyalorisá e dirigente espiritual era muito rígida e exigente.
Era muito comedida, prudente e reflexiva para assumir um filho de santo.
Só o fazia quando Yewá, Oxumare, Yemanjá, Xangô e Ogun, orisás a quem tinha muita obediência e respeito, autorizavam.
Promovia candomblé pela fé e suas festas eram organizadas dentro da tradição e, portanto eram belíssimas.
Não costumava dançar o Sirê, mas se apresentava no barracão muito elegante e introspectiva para dançar a roda de Sangô.
Cantava "Yorubá" com muito domínio pelos cantos da casa.
Dedicava-se mais ao culto de Orisá do que a vida pessoal.
Iniciou vários yawôs dentre eles podemos citar:
Seu primeiro barco foi:
• José de Osun, José Ferreira;
• Soninha de Osogian;
• Rosa de Osumarê;
• Regina de Nanã;
• Eliete de Yewá;
• Tania de Ososi - Maiyé
• Zilda de Ogun;
• Zezé de Omolu;
• Lurdinha de Omolu;
• Sandra de Iyemonjá - atual Iyakekerê da Casa de Oxumare.
• Murilo de Ogun em Minas Gerais;
• Gerson de Ososi em Minas Gerais
• Lídio de Sangô em Santa Catarina;
• Vladimir de Ososi- Babá Kabilla em São Paulo;
Desta forma expandiu o nome da Casa de Oxumare para todo o Brasil.
Iyá Nilzete de Iyemonjá trabalhou muito para a Casa de Osumare.
Fez reparos, manutenção e conservação do patrimônio.
Impetrou uma verdadeira guerra contra a prefeitura de Salvador que projetava uma passarela de pedestres que passaria sobre Iroko, na qual saiu vitoriosa.
Iyá Nilzete de Yemanjá teve três filhos:
• Samuilta de Osogian;
• Sidney de Ososi;
• Sivanilton de Osumare (Babá Pece),
Todos iniciados no Asé Osumaré.
Vem a falecer no dia 30.03.1990, também vitimada, por um mau súbito cardíaco.

Esta é nossa homenagem a este Grande Asé localizado em Salvador - BA.

quarta-feira, 14 de abril de 2010


NOSSA JORNADA NA TERRA

Segundo Babá Milton ti Oiyá

Todo o Ser Humano ao encarnar (nascer), passa a fazer parte, de uma longa história determinada pelos seus Odus (destinos), observado pelos Orisás e abençoado por Oloorun (Senhor do Céu = Deus) e Olodumaré (Senhor do Destino Supremo = Deus).

Cada um tem, apoiado também em Seu Livre Arbítrio e determinado pelos seus Odus, uma jornada de sucessos e insucessos, conquistas e percas, amores e desamores, ou seja, alegrias e tristezas.

Quando Oloorun (Senhor do Orun) determina um nascimento, Olodumaré passa a determinar que essa vontade se cumpra. E para isso, Ele coloca a disposição deste “Novo Ser”, seres divinizados, que vão acompanhá-lo durante toda sua jornada material na Terra e depois desta caminhada também.

Estes “Seres Divinizados” são por nós do Candomblé conhecidos e louvados pelo nome de Orisás e Eboras. Motivo da existência de nossa tão querida religião candomblecista.

Tentarei mostrar como acontece este processo de acompanhamento dos Orisás, do inicio até o fim da vida material desta pessoa.

Fecundação e Ventre

Nesta etapa temos a influencia inicial de Esú (Senhor do início, da sexualidade e do corpo) e Osun (Senhora da fecundação, da paixão e do encantamento). Sentimentos e situações estas tão importantes na natureza humana para que exista o inicio de um relacionamento estável e continuado. Quando estes dois Orisás se unem na vida de um casal, começa o processo de planejamento de uma nova vida pelo Espiritual. Este processo é acompanhado pelo Grande Orisá Obatalá (Senhor do Pano Branco). E Ibeji claro, gera toda essa ação por ser seres que representam “os dois que se unem para gerar um”.

Eles estimulam a paixão, a sexualidade e a fecundação. Quando isto acontece temos o Novo Ser, que dentro do ventre materno será cuidado por Osun e Ibeji (Senhores que zelam da continuidade e crescimento do feto dentro do ventre) e Embalado por Iyemonjá (Senhora das águas, do líquido amniótico e das cabeças). E a ligação Mãe e Filho será acompanhado por Osumaré (Senhor dos ciclos da vida, da água, do cordão umbilical e da transformação).

O nascimento será guiado por Ogun (Senhor dos caminhos, do progresso, do ferro, da tecnologia e das guerras), por Iyemonja e Osagia (Senhor do inhame pilado, responsável tb por todas as cabeças). Neste momento, e sobre a fiscalização de Iyemonja, o recém nascido será abençoado pela proteção específica de seu próprio Orisá (que poderá durante sua vida se fazer presente ou não).

Ao nascer (Ato de sair do ventre da mãe), este novo Ser vai ficar sobre a guarda de Osun e Logunede (Senhor da beleza, dos peixes e de tudo o que é jovem) até começar a expressar seus sentimentos ou emoções (falar por ex), independente claro, do Orisá principal dele. Ele tb será contemplado pelo Emi (sopro da vida), cedido por Osalá. Ato este representado pelo inflar do seu pulmão pela primeira vez.

Este Ser, passa ter pela consciência coletiva social, Corpo (Ara) e Alma, ou seja, existência física e espiritual. E com certeza alguns dias depois um Nome pelo qual será conhecido em sua existência material e uma Certidão de Nascimento que formalizará tb a data de seu nascimento, que afetará seu destino pelo resto de sua “Existência Individual”.

Crescimento e Amadurecimento

A necessidade ou consciência do novo ser perceber que esta Vivo e que deve continuar assim (Vivo) é dada por Sango (Senhor da vida, do fogo, da justiça). Orisá responsável junto com Esú de manter o corpo humano aquecido. Junto com Sango temos Obá (Senhora da decisão e do amor puro e verdadeiro) que são responsáveis pelos batimentos cardíacos e tb dão a este ser Vivo, o sentimento inenarrável do Amor incondicional. Que é o resultado final da Paixão (Sexualidade – Paixão – Amor). Assim como Iyemonja, Osun, Osala e Nana (Senhora da transformação espiritual, da lama primordial e da ancestralidade) alimentam no ser humano o amor familiar e social. Apesar que o sentimento e respeito pelo Social-coletivo é despertado e reforçado por Sango, Ode (Senhor das artes, da sobrevivência, da caça e do alimento) e Osun sem sombras de duvidas, já que Ela detém o poder do ato diplomático e da comunicação social.

Para que um ser humano tenha noção, consciência e pratique a sociabilidade, Ele precisa ter consciência de sua existência individual (citado logo atrás). E para que isto ocorra Ele terá a influência de Osae (Senhor das folhas, da medicina e da introspecção). “Ninguém conhecerá o coletivo se não viver o individual” (Babá Milton). E por conseguinte do próprio corpo (Ara) e de sua limitações. Entramos na área de Omolu/Obalwaiye (Senhores das doenças e das suas curas, dos ossos e da morte) e Esú. Com a influência destes Orisás o ser humano poderá se deparar ou perceber que seu corpo tem muita mais força que imagina e fraquezas tb. Ele se deparará com doenças e limitações físicas por exemplo. Com sentimentos fragilizados (psicologicamente falando). É quando, do nada, Ele se desperta e se renova de novo, dando a volta por cima e continuando sua brilhante jornada. Ele sentirá de novo a força de Ibeji e Oiyá.

Quando ele conhecer a si próprio e ao meio social que ele faz parte, devera a este ser desenvolver o sentimento de fidelidade aos princípios básicos oferecidos pela Sociedade ao indivíduo, dado por Obá e Oiyá (Senhora dos Mortos, da passagem, dos ventos e tempestades) e tb as normas e regras desta mesma Sociedade regida por Sango, Ode e Osagia.

Aí entramos na busca pela sobrevivência e, por conseguinte pela necessidade da continuidade de novo. Isto tudo é ofertado por Odé, Logunede e Sango. Ele senti fome, carências. Ou seja tudo que o estimularia a busca pela sobrevivência em si.

A necessidade de buscar sempre mais, material principalmente, e de buscar o progresso e o melhor cada vez mais será despertado por Ogun e por Odé e Sango. Cada um dentro de uma medida bem temperada. Por isso que falamos que se uma Sociedade nasce, cresce e se desenvolve tecnologicamente é porque Ogun existe. E qdo cresce com regras, normas foram graças as bênçãos de Sango e Odé.

A valorização da mulher e sua independência, tal qual sua posição hj mais privilegiada na Sociedade tem influência direta sobre o desejo de Osun e a força de Oiyá e Obá. Portanto o nosso personagem se for homem aprenderá a desenvolver este respeito a sociedade feminina graças a estas divindades tão amadas no Panteão Africano e Afrobrasileiro.

Morte e transformação

Portanto finalmente depois que o nosso novo ser humano nasceu, cresceu e se desenvolveu amoroso-social-familiarmente e buscou suas realizações e conquistas. Ele terá que mais cedo ou mais tarde se depará com Obatalá e seu cajado mais uma vez.

Por quê? Vc perguntaria. A este Orisá pertence o desejo de ativar a ação de Ikú (O ceifador). Obatalá que determina que o nosso personagem principal cumpriu de forma completa (ou não) sua missão na Terra (Aiye). Ele chamará a sua presença os Orisás e Eboras que farão o processo da Morte acontecer.

Independente de que forma a morte acontecerá para esta pessoa, Ela se deparará inicialmente com Nana, Omolu e Oiyá, que são os deuses iniciais nessa etapa final da “vida”. Nana é encarregada de tirar “aquele sopro de vida” dado por Obatala no inicio. Ela que retira o último ar espiritual e abençoado por Oloorun. Nisso Ikú tomou conta do corpo daquele ser. Oiyá é a responsável de receber o novo ser apenas dotado de espírito, e encaminhá-lo para sua nova jornada no mundo espiritual. Omolu desprende e corta o Espírito do corpo, como se fosse um corte no “cordão umbilical espiritual”. Oiyá junto com Nana e Osala vão acompanhá-lo nos novos passos a seguir. Só que agora quem rege a existência desse novo Egun (Espírito desencarnado) será Oiyá. E caberá a Ela orientá-lo e guiá-lo.

A partir daí será um mistério. O que vai acontecer com este Egun? Reencarnar? E começar todo o processo de novo anteriormente citado. Perturbar alguém (obssessor)? Estagnar-se no mundo espiritual? Só Oloorun e os Orisas e Eboras sabem...!

De qualquer formar aprendemos que independente do conceito religioso ensinado, sabemos que nossas atitudes perante nós mesmos e o mundo que nos cerca determina nossa situação aqui na Terra. E que os Orisás estão ao nosso redor, conscientes nós ou não.

Asé.

Babá Milton ti Oiyá

“Nifé ke, Oloorun Fé! (Que seja feito a vontade de Deus!)



sexta-feira, 9 de abril de 2010

MISSÕES e FUNDAÇÃO da ASSOIYA

ASSOIYA Associação Beneficente Afrocultural Ilé Alàketù Ègbe Ómòin Asé Òiyá (ASÈ ÒIYÀ FÚNÌNÌKÀ). Missões: 1. Desenvolver o crescimento religioso Afrobrasileiro, propagação de suas divindades (Orisás), orientação e educação da devida utilização e conservação dos Recursos Naturais (fauna, flora e hidricos); 2. Divulgar o Candomblé como religião de matriz africana reconhecida pela Constituição Brasileira; 3. Buscar o crescimento e equilíbrio espiritual de seus adeptos e/ou seguidores. Asé Fundado e inaugurado em Agosto de 1999. Localizado na Zona Rural da Cidade Satélite de Samambaia no Distrito Federal. Orisás Patronos: Oiyá e Ogun. Nação: Alaaketú. Babalorisá Regente: Bábà Milton ti Oiyá.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

OIYÁ


Oiyá de Babá Milton - Asé O!

Normas da ASSOIYA

ILE ALAKETU EGBÉ OMOIM ASÉ OIYÁ
(ASÉ OIYÁ FUNINIKÁ)

NORMAS E DIRETRIZES


Parágrafo Único: A diretriz religiosa aqui aplicada é o Candomblé (culto aos deuses africanos da natureza – Orisás). Cabe a todos (iniciados ou não) buscar a sua devida prática, agregar conhecimento e praticar a humildade, amor, crescimento espiritual aqui difundido e o respeito a todos os recursos naturais (fauna, flora e hídricos), dentro e fora do espaço de Egbé. Elevar e difundir o nome da Instituição e do seu Sacerdote e seus Orisás.

1. Ao chegar ao Egbé (Sociedade, Instituição) siga os seguintes passos:
- Abians: saudar Esú
- Iyaos: saudar Esú, Ogun, Osae, Osumare e Imole

2. Organizar seus devidos pertences nas instalações do Egbé (Casa de Apoio e Barracão). Zelar por esses pertences é responsabilidade de cada um proprietário.

3. Providenciar o asseio do corpo e trajar-se devidamente, ou seja, com roupa de ração.

4. Procurar o Babalorisá (Sacerdote do Egbé) para saudar-lhe. Trocar saudações com os demais irmãos (cargos, ebomes e outros iyaos e abians). Manter uma postura séria e cordial com todos do Egbé.

5. Buscar o andamento das devidas atividades a serem exercidas.

6. Durante as atividades diárias, se abriu algo, feche; se ligou, apague; se quebrou conserte ou mande consertar; se deslocou algo de lugar, ao finalizar sua utilização retorne-o ao ponto inicial.

7. Toda ou qualquer atividade e/ou procedimento no Egbé deverá ser informado ou repassado ao Babalorisá. Na ausência do Babalorisá, responde o Cargo mais velho ou de maior relevância, pelas devidas funções no dia a dia. Com a chegada do Babalorisá, este cargo deverá repassa-lhe todos os ocorridos em sua ausência.

8. Neste Egbé aplicam-se as seguintes hierarquias (de cima para baixo): Babalorisá, Babá ou Iyá kekere (pai/mãe pequenos), Cargos (Oloiyes e Ajoiyes) do Babalorisá, Ebomes e seus respectivos Cargos, Iyaôs e Abians.

9. Deverá haver sempre, uma postura de respeito entre todos do Egbé. Lembrando, que dos mais novos para os mais velhos, dentro das hierarquias, os tratos e condutas são diferenciados.

10. Crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais terão sempre tratamentos diferenciados e honrosos. Cabe aos genitores, dentro dos espaços do Egbé, o devido acompanhamento e zelo a seus filhos.

11. Não será permitido todo e qualquer ato (preconceituoso ou não) que desabone a integridade física, moral, psicológica e financeira do Egbé e seus componentes. Não existe diferenciação entre cor, opção sexual, posição social, gênero e raça. Diferentes credos deverão também ser respeitados, mas, não aplicados dentro desta Instituição. Lembrando sempre dos conceitos candomblecistas aqui difundidos. Busque sempre um comportamento ético, dentro e fora deste Egbé.

12. Qualquer duvida corrente, deverá ser sanada pelo colaborador hierarquicamente superior (posto ou tempo no Egbé). Em último caso pelo Babalorisá. Cabe sempre aos mais velhos para com os mais novos a devida tarefa de orientação, ensinamentos e afazeres, sempre com a fiscalização do Babalorisá.

13. As atividades do dia a dia serão divididas respeitando compleição física e o sexo do colaborador, ou seja, atividades masculinas e femininas anteriormente concordadas. Todos, independente da hierarquia deverão ajudar. Na ausência de Iyaos ou Abians, os Cargos mais elevados ajudarão em atividades mais comuns a Eles (Iyaos e Abians).

14. Haverá um revezamento semanal, de uma ou no máximo duas pessoas para a devida manutenção , organização e limpeza de toda estrutura do Egbé (edificações, locais de transito diário), tais como, cuidados com Ibás, limpeza do mato, instalações etc. A limpeza do mato, em especial, poderá ser realizada uma vez por mês e por todos (de preferência homens) do Egbé.

15. No final de cada dia de atividades, todos, deverão se organizar e repousar, em espaços da Casa de Apoio ou do Barracão para o devido descanso. Um cargo ficará responsável por esta atividade de organização.

16. É obrigação e responsabilidade de todos zelar pelo patrimônio físico (fauna, flora, recursos hídricos e edificações) e moral do Ile Alaketu Egbé Omoin Asé Oiyá e também manter sua devida zeladoria.

17. O culto, respeito e valorização a Natureza (fauna, flora e recursos hídricos) é fator primordial neste Égbé.

18. Não é de responsabilidade do Egbé o suprimento alimentar e afins durante as funções que já se fazem agendadas (festas anuais) e sim de todos da Instituição. Em funções do dia a dia pede-se que todos ajudem nestes suprimentos. Fora se já existir um estoque que possa ser usado para as devidas atividades, em concordância com todos.

19. Em caso de obrigação e festejos específicos de algum (ns) colaborador (es), estes serão responsáveis pela manutenção alimentar durante o início e fim do evento e das despesas de luz, gás e/ou eventuais pré e pós evento (especificados antecipadamente).

20. Será cobrada dos colaboradores do Egbé uma mensalidade equivalente a 5,5% (cinco e meio por cento) do Salário Mínimo vigente para despesas ocasionais, a ser pago até o dia 10 de cada mês. O não pagamento desta, sem a devida justificativa incidirá em alertas ou advertências (a ser determinada pelo Babalorisá ou em reuniões). Serão isentos da devida mensalidade, menores de 18 anos e maiores de 65 anos de idade. Quando um filho de santo do Egbé possuir Asé próprio, os seus filhos, ou seja, netos do Babalorisá deste Egbé, também estarão isentos desta mensalidade.

21. Cabe a todos a busca do conhecimento e do entendimento aos assuntos e temas referentes a prática religiosa aqui disseminada, no caso, o Candomblé. Troca de conhecimentos deverão ser passadas de forma verbal e internamente, ou seja, dentro do ambiente do Egbé, dos mais velhos para os mais novos, sempre com a ciência do Babalorisá. Qualquer aquisição de conhecimento externo será observado e julgado. Podendo, ser assim avaliado, como valido ou não para ações religiosas aqui aplicadas.

22. A prática religiosa aqui disseminada só terá validade e/ou aplicabilidade na vida, se o praticante, for detentor do sentimento de amor a Oloorun (Deus Supremo) e aos Orisás (deuses da natureza aqui cultuados). Lembrando que neste Egbé os principais e primeiros Orisás a serem louvados e respeitados são Oiyá e Ogun.

23. O processo iniciatório (feitura ou confirmação) deverá ser sempre avaliado e acompanhado pelo Babalorisá, levando em conta liberdade de escolha do individuo e/ou necessidades especificas tais como saúde, problemas espirituais ou vontade prévia do Orisá a ser cultuado. Quando em caso de saúde o indivíduo buscará sempre um diagnóstico de um profissional da Área e os seus devidos procedimentos e cuidados. Em casos específicos o Babalorisá poderá também recorrer a pessoas de hierarquia superior para devido suporte e orientação.

24. O agrego de um novo elemento ao Egbé deverá ser seguido de um processo de avaliação de comportamento e conduta, inclusive anteriores. O Egbé poderá exigir um documento de “nada consta” do mesmo. Quando já iniciado, serão exigidos dados ou documentos, se possível, do templo anterior, que comprovem o processo iniciatório documentado e o motivo do desligamento do mesmo. Haverá documentos a serem assinados para dar vazão ao processo iniciatório ou obrigação. Estes documentos servirão como prova da própria iniciação ou obrigação futuramente. Todos passarão por juramentos a Esú, Osumaré e Sango. Só assim o processo iniciatório terá validade e inicio.

25. Todos os componentes do Egbé terão acesso formal ou não deste documento (Normas e Diretrizes) quando se fizer necessário ou na formalização do agrego à esta Instituição.

26. Todos os seguidores deste Egbé, quando já iniciados, deverão passar por todos os processos (obrigações) que se fazem necessários dentro do Candomblé tais como, Boris anuais, obrigações de 03, 05 (quando filhos de Osun), 06 (quando filhos de Sango) e 07 anos. Dando assim continuidade aos demais preceitos que se fizerem necessários ou demais obrigações. Observará a individualidade e/ou coletividade de cada situação ou individuo.

27. Neste Egbé busca-se o equilíbrio espiritual, dentro de uma coletividade, pois Orisás são nossos antepassados divinizados que vivem em coletividade social e religiosa conosco. São, o nosso patrimônio cultural/religioso, e como tal devem ser tratados e respeitados por todos. De forma nenhuma será permitido atos ou cultos individualizados. Antes do culto do próprio Orisa todos deverão louvar e respeitar os Orisás Patronos (Oiyá e Ogun), e seu representante, ou seja, o Babalorisá Milton ti Oiyá.

28. No caso de desligamento de um componente do Egbé, será preenchido um documento (relatório), explicando os reais motivos deste desligamento. Este documento deverá ser assinado pelo desligado e por duas testemunhas. Caso o desligado, por algum motivo, se recuse a assinar o devido Relatório, o mesmo poderá ser assinado pelas testemunhas em questão, dando assim sua devida ciência e validade.

29. Todos os acontecimentos e atividades internas não poderão se comentados ou divulgados fora das instalações do Egbé sem a prévia autorização do mesmo.

30. Cabe a todos o devido conhecimento das raízes histórico-geográfico-religiosa deste Egbé e do seu Babalorisá:

a) Nação/Asé: Alaketu. Origem na tribo de Ketú (Nigéria).

b) Nome do Egbé: Associação Beneficente Afrocultural Ile Alaketu Egbé Omoin Asé Oiyá (Asé Oiyá Funiniká) - ASSOIYA.

c) Sacerdote/ Babalorisá: Babá Milton ti Oiyá (Milton Thales Nunes Gomes)

d) Filiação Religiosa Direta: Ile Asé Ode Omilodé (Uberaba-MG) – Babá Renato ti Logunedé.

e) Raiz Indireta: Asé Osumare (Salvador-BA).

f) Fundação: O Asé Oiyá Funiniká foi fundado em Agosto de 1999 na QR 513 conjunto 11 casa 14 na Cidade Satélite de Samambaia/DF. Mudou-se em Junho de 2003 para a DF 180, Km 08 Chácara da Ponte, Zona Rural de Samambaia - DF. Atual endereço.

g) O Babalorisá Milton ti Oiyá foi iniciado em 11 de outubro de 1987 pelo Babalorisá Mario ti Besen (Mario José Barbosa de Sousa). Tomou posto de Sacerdote (Deká) em Setembro de 1996 pelas mãos da Iyalorisá Raimunda ti Odé (Mãe Mundinha) com Terreiro localizado em Salvador – BA. Tomou Odum Merinlá (14 anos) com Babá Renato em 2008, atual zelador de Babá Milton.



Com concordância e ciência de todos, Babá Milton ti Oiyá.

Imole Esú

PARA COMPREENDER QUEM É ESU
Uma das divindades ancestrais iorubanas que mais escandalizou, confundiu e exasperou aos primeiros catequistas árabes e europeus em África foi o Imole Esu, sobretudo porque eles, reagindo aos estímulos de seus próprios subconscientes e aos tabus sócio-religioso-culturais da época, superestimaram um dos atributos deste Imole, qual seja, o de estimulador e regulador da natural atividade sexual, sem a qual não há procriação animal ou humana. À época, esses primeiros catequistas não se deram conta que estavam imergindo em uma civilização africana autóctone e guerreira, agrícola e pastoril, aonde a atividade sexual regulamentada pela sociedade não era um “pecado” e sim uma benção sempre solicitada às Divindades porque significava a segurança de uma grande descendência. Sim, o mesmo conceito bíblico do “crescei e multiplicai-vos”!
Mas, na sua feroz repressão a este atributo e à sua representação fálica, esses catequistas “esqueceram-se” das outras atividades primordiais desse Imole! E esse “esquecimento” influenciou duradouramente até aos iorubanos escravizados e “catequizados” no Brasil, fazendo com que eles pouco repassassem aos seus futuros descendentes e/ou dependentes religiosos outros atributos mais importantes que haviam por detrás daquela representação fálica agora repudiada.
Do Mito da Criação Universal, segundo os Iorubás. É em respeito ao conceito ancestral que os Iorubanos tinham de suas Divindades que enumerarei aqui os principais 16 (dezesseis) títulos descritivos dos atributos que o Imole Esu tinha antes do advento de sua “conversão” forçada em “diabo”, em nome de uma pretensa superioridade racial e cultural de “conquistadores” que levaram à África mais de trezentos anos de guerras, sangue, suor e lágrimas. Também só nos referiremos aqui a Esu por seu título ancestral iorubano de Imole ou “Ser Sobrenatural de Categoria Divina”, para bem diferenciá-lo do conceito de Satã, Caipora ou Êxú de Tronqueira que a perda de valores religiososo africanos, causada sobretudo pela escravidão e o sincretismo forçado com o Catolicismo e o Islamismo, permitiu insinuar-se até na mente de muitos que se dizem “Pai de Santo”, quanto mais na mente de seus mais simples seguidores atuais. Assim, com o devido respeito, começamos por saudar ao Imole Esu:
Mo ju iba, Esu Oba Baba awon Esu! Iba se, o!Saudações, Esu Senhor e Pai de todos os Esus!Que esta homenagem se cumpra!
E pedimos-lhe Ago ou “licença” para citar o seu Orisirisi ou “Contos Imemoriais” onde se fala de seus dezesseis maiores atributos, sobretudo ligados ao Culto de Ifá, e que são tão negligenciados hoje em dia até pelos seus El’esu ou “Sacerdote de Esu”! Eis aqui seus dezesseis títulos e suas correspondentes “qualidades”, os quais sempre foram ligados aos 16 Odu ou “Fundamentos de Tradição” dos Itan Ifa ou “Contos de Ifá” de Ile Ife ou “Cidade Santa de Ifé”:
Esu Yangi – o Senhor da Laterita Vermelha
Esu Agba – o Senhor Ancestral
Esu Igba Keta – o Senhor da Terceira Cabaça
Esu Okoto – o Senhor do Caracol
Esu Oba Baba Esu – o Rei e Pai de todos os Eshus
Esu Odara - o Senhor da Felicidade
Esu Osije - o Mensageiro Divino
Esu Eleru - o Senhor da Obrigação Ritual
Esu Enu Gbarijo - o Senhor da Boca Coletiva
10. Esu Elegbara – o Senhor do Poder Mágico
11. Esu Bara – o Senhor do Corpo
12. Esu L’Onan – o Senhor dos Caminhos
13. Esu Ol’Obe – o Senhor da Faca
14. Esu El’Ebo – o Senhor das Oferendas
15. Esu Alafia – o Senhor da Satisfação Pessoal
16. Esu Oduso – o Vigia dos Odus
Pouca semelhança entre estes nomes e aqueles que, hoje em dia, se lhe atribuem? Paciência! Somem a estes nomes 350 anos de guerras, escravidão, aculturação por sobrevivência e catequese forçada “goela abaixo” dos vencidos e chegaremos facilmente, com o devido respeito, às “Tronqueiras” e à troca de nomes do “Senhor da Laterita” por “Exú do Lodo”, o “Senhor dos Caminhos” por Exú “Tranca-Ruas” e o “Senhor do Corpo” por “Exú Caveira”, como veremos a seguir. Assim, tendo visto as denominações, vejamos agora as qualificações. Esu Yangi é a sua primeira forma mais importante e a que lhe confere a qualidade de Imole ou “Divindade”, pois nos Ritos da Criação, segundo o Credo Iorubá:
-”O ar e as águas moveram-se conjuntamente euma parte deles mesmos transformou-se em lama.Dessa lama originou-se uma bolha ou montículo,a primeira matéria dotada de forma,um rochedo avermelhado e lamacento.OLORUN admirou esta forma e soprou sobre o montículo,insuflando-lhe Seu Hálito e lhe deu vida.Esta forma, a primeira dotada de existência individual,um rochedo de Laterita,era Esu Yangi.”-
Assim, fica claro que Imole Esu foi criado diretamente por OLORUN, mas não da própria e primordial matéria divina, da qual Ele já havia feito Obatala e Oduduwa, o Casal Divino, mas sim daquela matéria que iria formar toda existência genérica subseqüente, ou seja, a Eerupe ou “Lama”, da qual seria criada também toda a Humanidade que um dia Ebora Iku ou a “Morte” devolverá a essa mesma lama. Então, Imole Esu é o primeiro Ser criado da Existência Genérica e o símbolo por excelência do Elemento Criado. Por isso ele é chamado também de Esu Agba ou “Eshu Ancestral”. Assim, os seus assentamentos ou sacrários mais antigos e tradicionais eram um simples pedaço de Laterita vermelha enfiado no solo, na Orita Meta ou “Encruzilhada de Três Caminhos”. Algumas vezes, a Laterita vermelha estaria cercada por 7, 14 ou 21 hastes de ferro, mas deste metal bem enferrujado que é o “esqueleto” do metal novo. Como os mitos da Criação, segundo os Iorubás, demonstram que Imole Esu foi criado logo após Obatala e Oduduwa por OLORUN, ele é, portanto, o Igba Keta ou a “Terceira Cabaça” ou o “Terceiro Criado”, sendo símbolo da Existência Diferenciada e, em conseqüência, o elemento dinâmico que leva à propulsão, à mobilização, à transformação e ao crescimento. Nesta variante múltipla, ele é o princípio dinâmico que participa forçosamente de tudo o que virá a existir. E assim foi-se processando a Criação, segundo o Credo Iorubá. Os Orisirisi Esu continuam contando como Imole Esu logo descontrolou-se e começou a devorar toda a existência, sendo obrigado por Orunmila, após uma longa perseguição, a vomitar tudo de volta; entretanto, tudo em maior quantidade, muito melhor e mais perfeito do que quando o ingerira. E, tendo sido picado em milhares de pedaços pela espada de Orunmila, transformou-se no “Mais Um” ou o “Um multiplicado pelo Infinito”, no Esu Okoto ou “Eshu do Caracol”, cuja estrutura óssea espiralada parte de um ponto único, abrindo-se para o Infinito e no qual os Iorubanos conceituavam o crescimento e a multiplicação. Desta forma, Esu Yangi também multiplicou-se “infinitamente” e, tendo se tornado no símbolo da restituição e da recomposição, tornou-se ele próprio no Oba Baba Esu ou “Rei” e o “Pai” de todos os outros Imole Esu que dele seriam e foram “cortados” e que para sempre acompanhariam os Imole e todos os mortais. Os Ese Itan Ifa ou “Versos dos Contos de Ifá”, contam-nos a razão da denominação das outras variantes múltiplas de Imole Esu. Numa explanação livre dos versos desses Contos, no que se refere ao Imole Osetuwa, podemos ler que quando os Imole vieram à Terra para coadjuvar Obatala e Oduduwa a reger a Criação, OLORUN ensinou-lhes tudo quanto precisavam saber para que a vida na Terra fosse Odara ou “Feliz”. Mas, apesar de os Imole fazerem tudo quanto lhes tinha sido prescrito por OLORUN, sobrevieram na Terra todos os tipos de desgraças, sobretudo uma terrível e prolongada seca. Os Imole reuniram-se e chegaram à conclusão de que os fatos desastrosos estavam além da sua compreensão e que deveriam mandar alguém, sábio e instruído, à presença de OLORUN para que Este lhes mandasse a solução dos problemas que afligiam a Terra, agora sob o risco de total desaparecimento. Orunmila, o Orixá da Divinação Sagrada, partiu nessa missão e data daí o fato de que ele passou a ser um dos três Imole que podem apresentar-se perante OLORUN e suportar-Lhe o esplendor. Ao lhe ser permitido facear OLORUN, Orunmila ouviu Dele que a razão para todas as desgraças que assolavam a Terra estava no fato de que eles, os Imole, não haviam convidado para morar no Ode Aiye, ou seja, a “moradia dos Imole na Terra”, ao Ser que se constituía no décimo sétimo dentre eles. Quando assim o fizessem, tudo voltaria a frutificar! E foi assim que Orunmila tornou-se o “Arauto de OLORUN” para a ligação dos dois mundos, o Orun ou “Além” e o Aiye ou “Terra”. Retornando ao Ode Aiye, Orunmila começou a procurar pelo “décimo sétimo”, o qual deveria ser convidado a morar com eles. Depois de muitas tentativas infrutíferas, decidiram que uma poderosa Aje ou “Senhora do Feitiço” – a Ebora Osum – deveria conceber um filho de Oso ou “Senhor do Poder Mágico”, filho esse que receberia, ainda no ventre materno, o Ase ou “Força Mágica” de todos os Imole por imposição conjunta de suas mãos, para que se transformasse assim no Mensageiro por excelência das Oferendas dos Imole e se acabassem as desgraças que assolavam a Terra. Assim foi gerado um filho do “Feitiço com o Poder Mágico”, o qual recebeu o nome de Osetuwa e este novo Orixá Gerado passou a tentar cumprir o seu dever de mensageiro, mas sem obter absolutamente nenhum sucesso! Até que um dia, em aflição, lembrou-se de procurar o quase desconhecido Imole Esu Odara ou “Eshu da Felicidade”, para pedir-lhe conselhos e ajuda. E Osetuwa dirigiu-se a Esu Odara e pediu-lhe a ajuda para levar as Oferendas dos Imole a OLORUN. E Esu Odara respondeu a Osetuwa:
-” Como??? Jamais pensei que você viesse me avisar antes de partir!Por este seu gesto, hoje o Orun lhe abrirá as portas.”-
E, então, Osetuwa e Esu Odara puseram-se a caminho e partiram em direção aos portões do Orun. Quando lá chegaram, as portas já se encontravam abertas! Osetuwa, então, pôde entregar as Oferendas dos Imole a OLORUN e Este, aceitando-as por virem através de Imole Esu, deu a Osetuwa …“todas as coisas necessárias à sobrevivência do Mundo”. Osetuwa voltou ao Aiye ou “Mundo Material” e tudo frutificou novamente! Tão gratos lhe ficaram os Imole que o cobriram de presentes e o celebraram como o único dentre eles que conseguira levar as Oferendas ao Orun. Mas Osetuwa, com humildade, levou todos os presentes que recebera e deu-os todos a Esu Odara. Quando os deu a Esu, o mesmo disse:
-“Como??? Há tanto tempo eu entrego os sacrifíciose nunca houve ninguém para retribuir-me a gentileza!”--“Você, Osetuwa, todos os sacrifícios que eles fizerem sobre a Terra,se não os entregarem primeiro a vocêpara que você os possa trazer a mim,farei com que as Oferendas não sejam aceitas!”-
E foi assim que Osetuwa tornou-se em um poderoso Akin Oso ou “Manipulador do Poder”, duplamente por seu nascimento e pela confirmação de Imole Esu Odara, por ter mostrado a todos os Imole que Esu era realmente o Osije ou “Mensageiro Divino” e que também tinha o poder de aceitar ou recusar os sacrifícios rituais porque era o verdadeiro Eleru ou “Senhor da Obrigação Ritual”. A partir de então, os seiscentos Imole decidiram dar ao Imole Esu um “pedaço de suas próprias bocas” para que ele pudesse falar por todos, quando fosse perante OLORUN, pois era patente que ele era o outro Imole, além de Orunmila, que podia apresentar-se perante OLORUN. Imole Esu, muito sabiamente, “uniu todos esses pedaços em sua própria boca” e assim tornou-se o Enu Gbarijo ou “Boca Coletiva” de todos os Imole. Desde então, como retribuição de Esu aos outros Imole, cada um destes possui ao seu lado o seu Esu Okoto ou “Eshu do Caracol”, o “Mais Um”, a quem ambos delegam os seus poderes. Desta forma, por delegação espontânea de todos os Imole, Esu tornou-se também o Elegbara ou “Senhor do Poder Mágico”. E como toda a Criação é também regida pelos Imole, todo o Ser vivente no Aiye ou “Mundo”, assim como possui o seu Olori, ou seja, o seu Orisa ou sua Ebora, que são o “Senhor” ou a “Senhora” de sua Ori ou “Cabeça”, também tem que ter o seu Esu Bara ou “Esu do Corpo”, pois Bara vem de Oba=Senhor + Ara=Corpo. Isto explica muitas coisas que são atribuídas nos cultos afro-brasileiros a Exú, pois que ele é responsável pela natural atividade sexual, que é um atributo do corpo, pois sem ela não há procriação, que é multiplicação e abundância, quer seja vegetal, animal ou humana. E, para isso, Imole Esu, sendo o Elegbara e o Bara, recebeu de OLORUN os instrumentos-símbolos desta sua ação dinamizadora e frutificadora:- o Ado Iran, a Cabaça arredondada de longo pescoço, o recipiente de poder mágico que contém inesgotável Ase ou Força Mágica, bastando ser apontada a um objetivo para emanar e propagar esse poder mágico;- o Gorro ou Penteado tradicional em coque de ponta alongada e caída, terminada na forma da glande peniana humana, símbolo da Reprodução. Daí ser o pênis humano, em ereção, uma de suas mais populares e ancestrais representações, feitas em pedra, como as da localidade africana de Tondediru, ou, mais simplesmente, modeladas em barro à beira dos caminhos. E este foi, como já dissemos no início, um dos aspectos de Imole Esu que mais escandalizou os missionários de outras religiões, que então dispararam contra ele todas as suas “armas”. Nunca atentaram para o fato de que em nenhum dos milhares de Versos de Contos de Ifá, Imole Esu jamais – repitamos – jamais assume a função de procriador e mais: suas diversas formas multiplicativas têm por origem a divisão do seu próprio Ser em “milhares” de partes pela espada de Orunmila. Mas Imole Esu tinha uma outra função capital que despertou o interesse dos catequistas das novas religiões, que nela viram a oportunidade otimizada para a destruição de sua importância entre os Iorubás: a sua função de Executor Divino. Como Imole Esu é o Mensageiro Divino e o Senhor do Carrego Ritual prescrito por Orunmila-Ifa, ele é também o L’Onan ou “Senhor dos Caminhos”, tanto dos benéficos (Ona Rere), quanto dos maléficos (Ona Buruku), que ele abre ou fecha aos mortais conforme verifique se os sacrifícios prescritos aos fiéis foram ou não cumpridos, ajudando aqueles que os cumprem e punindo os que, devidamente avisados, não o fazem. Por isso, ele é também o Ol’obe ou “Senhor da Faca”, significando ser o Executor dos Sacrifícios, mas também, no sentido ritualístico, “Aquele que tem o poder de vida e morte”. À Obe ou “Faca”, Imole Esu junta ainda a sua Opa ou “Bolsa”, na qual carrega os seus objetos ritualísticos mágicos, entre eles os “fragmentos de cabaças”, símbolo do Ser destruído mas, por sua vez, destruidor, talvez um dos seus emblemas mais temidos e somente manipulados por seus El’esu, ou seja, pelos Sacerdotes do Imole Esu. Por tudo isso, Imole Esu está sempre “do lado de fora”, nos “caminhos”, onde tem seu lugar predileto, a Orita Meta ou “Encruzilhada de Três Caminhos”, onde ele aceita, carrega, transporta e premia, mas, também, de onde vigia, adverte, recusa e pune. Foi então que os primeiros catequistas de outras religiões passaram a pregar que todas as desgraças acontecidas aos fiéis dos Orisa Yoruba, merecidas ou não, derivavam da ação nefasta e indiscriminada de Imole Esu, o qual apenas faria o Mal pelo Mal. Por sua vez, o povo Yoruba escravizado viu nesta interpretação equivocada de Executor por Malfeitor, uma nova arma para se defenderem e passaram a ameaçar abertamente os seus inimigos com as artes punitivas do Imole Esu, que assim começou a transformar-se em “Êxú” e a sincretizar-se, nas mentes mais fracas, com a figura do “diabo” medieval católico. Daí a ele começar a ser representado e apresentado como um Ser tenebroso e mau foi apenas a mesma “descida de ladeira” por onde escorregaram os sincrético cultos afro-brasileiros, notadamente a Umbanda Popular, até estarem lançadas as bases do “sincretismo dentro do sincretismo” e aparecer a Kimbanda que, na verdade, nada mais é que o “ponto mais alto da curva do desespero” a que foram lançados os povos escravizados no Brasil. Mas, na realidade, no Credo Iorubá, Imole Esu é o símbolo, não da subtração, mas sim da restituição que os humanos devem fazer, através de Oferendas, daquelas coisas que eram necessárias à sobrevivência do Mundo e que OLORUN deu aos Imole Osetuwa e Esu para salvá-la e não para destruí-la. E é na execução das Oferendas com esta intenção, que só Esu Elebo ou “Senhor das Ofendas” é capaz de tornar aceitável a OLORUN, que está a “chave” que permite ao fiel alcançar o seu objetivo. E se conseguir alcançar o seu objetivo, naturalmente obterá também a satisfação (Alafia) dos seus anseios maiores; assim, deve agradecer também a Esu Alafia ou “Senhor da Satisfação Pessoal”. É sobretudo sob as múltiplas variantes de Bara, Enu Gbarijo, Elebo e Alafia que o Orisa Orunmila se utiliza do Imole Esu para poder atuar como o Arauto dos Awon Orisa sobre os destinos humanos na Divinação Sagrada de Ifá, quer através do Opon ou “Tabuleiro” e do Opele ou “Corrente de Ifá”, quer através dos “Búzios“. Por isso mesmo, os Odu ou “Fundamentos de Tradição” sempre aconselham a Pa Esu, ou seja, a apaziguar ao Imole Esu e não a tentar suborná-lo para ter um “malfeitor” às ordens. Imole Esu é, pois, o Princípio Restaurador do Equilíbrio no Credo Iorubá. Daí as suas representações pouco conhecidas, à fora sua representação fálica, ora “fumando cachimbo”, simbolizando a absorção e a ingestão, ora “tocando flauta”, simbolizando a doação e a restituição. E assim, os Orisirisi Esu contam corno ele distribui generosamente crescimento e honras, “vomitando-os” após ter ingerido todo tipo de alimentos e bebidas rituais das Oferendas e como há um determinado elemento, o Aasaa ou “Fumo de rolo” picado que infalivelmente provoca essa inusitada transformação, multiplicação e restituição”. Tudo isso ele assim faz em troca de somente três coisas: a coragem do fiel em tentar cumprir seu próprio destino; respeito do fiel aos Fundamentos de Tradição dos Orixás e a oferta de seu Ebo ou “Oferenda” específico que lhe é destinada no seu ritual próprio, o Ipade, cujo literal significado é justamente “ato de reunião de apaziguamento” e não para pedidos de destruições e vinganças aleatórias, como pensam aqueles que, na verdade, não conhecem a essência do Senhor Imole Esu, porque se esqueceram ou não conhecem mais as suas raízes espirituais ancestrais, ou, pior ainda, as renegam! A oferenda Ebo é constituída de elementos materiais muito simples, mas de profundo significado, ao contrário do que se vê “despachado” pelas esquinas de nossas cidades e que quase não guardam relação alguma com o seu significado original:- Omi (a Água), a Oferenda por excelência, que fertiliza, apazigua e vitaliza tanto o Além quanto a Terra, especialmente se for a Omi Ato (água de chuva), a “Água-sêmen” do Céu!- Epo (o Azeite de Dendê): símbolo da dinâmica da realização, da descendência, relacionada com o Eje Pupo ou “sangue vermelho” ou essência do Vermelho dos elementos gerados;- Otin (bebida destilada branca): vinho de palmeira em áfrica e cachaça no Brasil, relacionada com o Eje Funfun ou “sangue branco” ou essência do Branco dos elementos geradores;- Iyefun (a farinha): qualquer farinha, a qual é símbolo do Eje Dudu ou “sangue preto” ou essência do Preto dos elementos gesta ntes e fecundos, como o Akasa, bolinho de pasta branca de milho deixado de molho, ralado e cozido, envolto na folha africana Ewe Eko, no Brasil, substitída pela “folha de bananeira”. Dito isto (e mais haveria), eis porque tão poderosa divindade sempre foi e ainda é cultuada e servida antes até que servidos e cultuados sejam os Orixás, em qualquer situação e lugar … Remarquemos a mais que, especificamente no Ebo de seu Ipade, Imole Esu não recebe sangue animal e sim seu sucedâneo transmudado – o Epo ou “Azeite de Dendê”. Assim, sem ferirmos a Tradição Ancestral, podemos afirmar que é um direito da Corrente Astral do Aumbhandan – A Umbanda Esotérica do Brasil – não se utilizar de sacrifícios de sangue, nem mesmo parar preceituar tão poderosa divindade. Usos e costumes ancestrais de outros povos, legítimos e fundamentados à sua época, podem muito bem serem transmudados em novos tempos, como já acontecia mesmo em África, aonde os Babalawos tinham, a seu critério, o poder de substituir os animais preceituados para oferenda por suas penas, escamas e couros, devendo o valor de mercado do animal a ofertar ser distribuído, em esmolas, entre os carentes de sua comunidade. Por outro lado, a atuação do Imole Esu como Mensageiro dos Orixás para a entrega de oferendas a OLORUN, dificilmente é compatível ou coerente com a sua posterior identificação com o “Satã” pelos cristãos e muçulmanos. Tal tentativa de analogia, só se explica por não se encontrar no Credo Iorubá a idéia de “diabo” ou “inferno”, como se os entendem em outras religiões não-africanas. De fato, mesmo face à situação irregular dos suicidas, no pensamento Iorubá seres carentes de coragem em enfrentar seu próprio destino, os Iorubanos jamais criaram a idéia grosseira de uma eterna punição; para eles, prêmio ou castigo eram provações a serem experimentadas aqui mesmo nesta Terra ou pela falta de retorno à ela. Assim, a idéia de um “Exú” essencialmente trevoso e mau é uma contrafação sincrética com o “diabo” medieval católico, forçada e imposta pela escravidão e conseqüente perda de valores iniciatórios das religiões africanas no Brasil, mas que nunca existiu em África em tempo algum. E, muito embora nas lendas populares, Imole Esu passasse a ser conhecido como “manhoso”, “trapaceiro” e notoriamente “encrenqueiro”, mormente se não for “apaziguado” por seu Ebo, a sua suposta imagem de malignidade decorre, na verdade, de ele ter o importante papel de Executor Divino, punindo aqueles que descuram as oferendas prescritas para eles, mas recompensando aqueles que as cumprem. Entretanto, ele nada faz por conta própria, servindo fielmente a OLORUN e ao Orisa Orunmila-Ifa. Também, os Orisa e as Ebora podem convocá-lo para se utilizar da variedade de punições postas sob o seu comando. E isto porque, com imensa sabedoria, o Credo Iorubano ancestral prega que Orisa algum pune diretamente seus “Filhos”, mesmo os transviados, os transgressores e os ofensores: isto é função do Imole Esu. Os Versos dos Contos de lfá dizem que Imole Esu é também encarregado por OLORUN para vigiar as ações de outras Divindades no Aiye ou “Terra”. E isto só pode se dar, dizem os fiéis, porque ele é notável e notoriamente equânime no seu papel de Executor Divino. É por tudo isso que todos os devotos de todas os Orisa e Ebora se voltam para Orunmila-lfa em tempos de dificuldades, buscando essa equanimidade e, a conselho dos Babalawo, oferendam a Imole Esu e, por seu intermédio, a OLORUN. Para que os Babalaôs não se excedam nas prescrição dessas oferendas, Imole Esu está sempre presente na Divinação Sagrada de Ifá, como o décimo sétimo Ikin ou “Coquinho de Dendê”, o Olori Ikin ou “Senhor da Cabeça dos Coquinhos de Dendê Consagrados”, o qual leva a sua efígie gravada. Por essa razão, este décimo sétimo lkin é também chamado de Oduso ou “Vigia dos Odu”, do verbo Iorubá So ou “Vigiar”, ou seja, colocado no Tabuleiro de Ifá em uma posição tão privilegiada quanto a do Babalaô, ele representa Esu Oduso que é o Vigia dos Odu ou “Signos-Resposta” do Sistema lfá e, conseqüentemente de suas verdadeiras interpretações pelos Babalaôs, pois todo o bom cumprimento do Iwa ou “Destino” do Consulente depende de se bem compreender a Mensagem que Orisa Orunmila quer transmitir ao Consulente. Daí se compreender que a ligação do Imole Esu com o “Jogo de Ifá” é inquestionável. Assim, como vemos, Imole Esu não é nem mau nem tenebroso, antes, pelo contrário, freqüenta o Orun ou “Além”, reporta-se diretamente a OLORUN e dialoga com os Imole ou Divindades e com os Onile ou Antepassados. Ele também não é indiscriminadamente vingativo , mas é o Transformador Divino que trata com equanimidade Divindades, Ancestrais, Babalaôs e Humanos por ordens de OLORUN. E nada executa por sua própria vontade, mas cumprindo fielmente as ordens de OLORUN e os ditames do Iwa ou “Destino” livremente escolhido por cada Ori Orun ou “Individualidade no Além” de cada fiel e, através de Orunmila-Ifa, cumpre também as ordens das Divindades. E se ele é considerado “trapaceiro” e “encrenqueiro”, o é pelos culpados, porque ele é o fiscal de OLORUN junto aos Orisa e, ainda, o Vigia dos Babalaôs e do bom cumprimento das obrigações rituais e sacrificiais por cada Fiel. E se ele pode até matar, conforme se lê em diversos Ese dos Itan Ifá, é também ele que representa a Vida e a sua dinamização ou continuação, através do legítimo e natural prazer sexual que leva os humanos a procriar. E se assim é há milênios, a Imole Esu só é devida a coragem de cada fiel em tentar realizar o seu Destino livremente escolhido antes de nascer, a sua Oferenda específica – o Ebo – do seu ritual Ipade e a nossa saudação, não de medo ou horror, mas de respeito, como a ele fez Osetuwa:
— “Agba Esu, Mo ju iba ! Iba se o!“ —— “Esu Ancestral, presto-lhe minha homenagem!“--“Oh! Que esta homenagem se cumpra!” —
Assim sendo, quero terminar esta explanação com a tradução livre, mas coerente, de parte de um dos Versos dos Contos de Ifá, o do Odu Obara Meji:
Obara ni,ki ndojubole Ki n’ba buru,Ki Elegbara o jeki ngo loNje ikuderin Moforibale l’Elegbara.
—”Obará Meji pediu que eu me prostrasse em reverência,cobrindo minha cabeça.Que eu deveria me prostrar e me cobrir em respeito,para que Elégbará me permitisse prosseguirem meu caminho de felicidade e riqueza.Assim, minha morte transformar-se-á em longa vida de alegria.Portanto, curvo-me ante Elégbará!” —
Então, assim, também eu o faço e assim também eu peço:
— “Imole Esu, aqui está minha oferenda!“—— “ Por favor, peça a OLORUN que aceite esta oferendae alivie meu sofrimento!”—Tó! (Assim seja!) Adupê, ó! (Oh, Obrigado!)

Babá Milton presidindo festejos na Egbé Oiyá

Babá Milton incorporado com o Catiço, Seu Sebastião (Exú Tiriri)

Babá Milton incorporado com sua Pombagira Dona Magdalena.

Oiyá e Egun

OYA E EGUN
Oyá não podia ter filhos, e foi consultar o babalaô.
Este lhe disse, então, que, se fizesse sacrifícios, ela os teria. Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu tabu alimentar (evó) que proibia comer carne de carneiro.
O sacrifício seria de 18.000 mil búzios (o pagamento), muitos panos coloridos e carne de carneiro. Com a carne ele preparou um remédio para que ela o comesse; e nunca mais ela deveria comer desta carne. Quanto aos panos, deveria ser entregues como oferenda. Ela assim fez e, tempos depois, deu à luz nove filhos (número místico de Oyá).
Daí em diante ela também passou a ser conhecida pelo nome de ‘Iyá omo mésan’, que quer dizer ‘a mãe de nove filhos’ e que se aglutina ‘Iyansan’. Há outra lenda para explicar o mito de Iansã: Em certa época, as mulheres eram relegadas a um segundo plano em suas relações com os homens. Então elas resolveram punir seus maridos, mas sem nenhum critério ou limite, abusando desta decisão, humilhando-os em demasia. Oyá era a líder das mulheres, e elas se reuniram na floresta. Oyá havia domado e treinado um macaco marrom chamado ijimerê (na Nigéria).
Utilizara para isso um galho de atori (ixã) e o vestia com uma roupa feita de várias tiras de pano coloridas, de modo que ninguém via o macaco sob os panos.
Seguindo um ritual, conforme Oyá brandia o ixã no solo o macaco pulava de uma árvore e aparecia de forma alucinante, movimentando-se como fora treinado a fazer. Deste modo, durante à noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres (que estavam escondidas) faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente apavorados. Cansados de tanta humilhação, os homens foram ter com um babalaô para tentar descobrir o que estava acontecendo. Através do jogo de Ifá, e para punir as mulheres, o babalaô lhes conta a verdade.
Ele os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícios e astúcia. Ogum foi o encarregado da missão. Ele chegou ao local das aparições antes das mulheres. Vestiu-se com vários panos, ficando totalmente encoberto, e se escondeu. Quando as mulheres chegaram, ele apareceu subitamente, correndo, berrando e brandindo sua espada pelos ares. Todas fugiram apavoradas, inclusive Oyá. Desde então os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto de egun; hoje, eles são os únicos a invocá-lo e cultuá-lo. Mas, mesmo assim, eles rendem homenagem a Oyá, na qualidade de Igbalé, como criadora do culto de egun. Convém notar que, no culto, egun nasce no bosque da floresta (igbo igbalé). No Brasil, no ilê awo, ele nasce no quarto de balé, onde são colocadas oferendas de comidas e realizadas cerimônias aos Eguns. Oyá é também cultuada como mãe e rainha de egun, como Oyá Igbalé.
E, como nos explica a lenda, Oyá, a floresta e o macaco estão intimamente ligados ao culto, inclusive em relação à voz do macaco como modo de o egun falar.
TORNA-SE ÌYÁMÍ primórdios da criação, Olodumarê, o Ser Supremo que vive no orun, mandou vir ao ayê (universo conhecido) três divindades: Ogum (senhor do ferro), Obarixá (senhor da criação dos homens) (2 – Um dos orixás funfun, isto é, orixás que têm como principal preceito o uso do branco nos ritos e nas oferendas; em algumas regiões Obarixá é adotado como um cognome de Oxalá) e Odu, a única mulher entre eles. Todos eles tinham poderes, menos ela, que se queixou então a Olodumarê. Este lhe outorgou o poder do pássaro contido numa cabaça (igbá eleiye) e ela se tornou então, através do poder emanado de Olodumarê, Iyá Won, nossa mãe para eternidade (também chamada de Iami Oxorongá, minha mãe Oxorongá). Mas Olodumarê a preveniu de que deveria usar este grande poder com cautela, sob pena de ele mesmo repreendê-la. Mas ela abusou do poder do pássaro.
Preocupado e humilhado, Obarixá foi até Orumilá fazer o jogo de Ifá, e ele o ensinou como conquistar, apaziguar e vencer Odu, através de sacrifícios, oferendas e astúcia. Obarixá e Odu foram viver juntos. Ele então lhe revelou seus segredos e, após algum tempo, ela lhe contou os seus, inclusive que adorava egun. Mostrou-lhe a roupa de egun, o qual não tinha corpo, rosto nem tampouco falava.
Juntos eles adoraram egun. Aproveitando um dia quando Odu saiu de casa, ele modificou e vestiu a roupa de egun. Com um bastão na mão, Obarixá foi à cidade (o fato de egun carregar um bastão revela toda a sua ira) e falou com todas as pessoas. Quando Odu viu egun andando e falando, percebeu que foi Obarixá quem tornou isto possível. Ela reverenciou e prestou homenagem a egun e a Obarixá, conformando-se com a supremacia dos homens e aceitando para si a derrota. Ela mandou então seu poderoso pássaro pousar em egun, e lhe outorgou o poder: tudo o que egun disser acontecerá. Odu retirou-se para sempre do culto de Egugun. O conjunto homem-mulher dá vida a egun (ancestralidade), mas restringe seu culto aos homens, os quais, todavia, prestam homenagem às mulheres, castigadas por Olodumarê através dos abusos de Odu. Também por esta razão é que as mulheres mortas são cultuadas coletivamente, e somente os homens têm direito à individualidade, através do culto de egun.

Babá Milton ti Oiyá no trono de Oiyá

Baba Milton ti Oiyá


Babá Renato ti Logunede (Uberaba) no Odum Merinlá de Babá Milton ti Oiyá

Oiyá de Babá Milton ti Oiyá - Babalorisá-Presidente da ASSOIYA.
CANDOMBLÉ

Por que o culto do orixá é chamado de CANDOMBLÉ?
Em 1830, algumas mulheres negras originárias de Ketu, na Nigéria, e pertencentes a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reuniram-se para estabelecer uma forma de culto que preservasse as tradições africanas aqui, no Brasil.
Segundo documentos históricos da época, esta reunião aconteceu na antiga Ladeira do Bercô; hoje, Rua Visconde de Itaparica, próximo a Igreja da Barroquinha na cidade de São Salvador - Estado da Bahia.
Desta reunião, que era formada por várias mulheres, conforme relatei anteriormente, uma mulher ajudada por Baba-Asiká, um ilustre africano da época, se destacou:- Íyànàssó Kalá ou Oká, cujo o òrúnkó no orixá era Íyàmagbó-Olódùmarè.
Mas, o motivo principal desta reunião era estabelecer um culto africanista no Brasil, pois viram essas mulheres, que se alguma coisa não fosse feita aos seus irmãos negros e descendentes, nada teriam para preservar o "culto de orixá", já que os negros que aqui chegavam eram batizados na Igreja Católica e obrigados a praticarem assim a religião católica.
Porém, como praticar um culto de origem tribal, em uma terra distante de sua ìyá ìlú àiyé èmí, ou a mãe pátria terra da vida, como era chamada a África, pelos antigos africanos?
Primeiro, tentaram fazer uma fusão de várias mitologias, dogmas e liturgias africanas. Este culto, no Brasil, teria que ser similar ao culto praticado na África, em que o principal quesito para se ingressar em seus mistérios seria a iniciação. Enquanto na África a iniciação é feita muitas vezes em plena floresta, no Brasil foi estabelecida uma mini-África, ou seja, a casa de culto teria todos os orixás africanos juntos. Ao contrário da África, onde cada orixá está ligado a uma aldeia, ou cidade por exemplo: Xangô em Oyó, Oxum em Ijexá e Ijebu e assim por diante.

Mas, por que esse culto foi denominado de CANDOMBLÉ?Este culto da forma como é aqui praticado e chamado de Candomblé, não existe na África. O que existe lá é o que chamo de culto à orixá, ou seja, cada região africana cultua um orixá e só inicia elegun ou pessoa daquele orixá. Portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque também era comum chamar de Candomblé toda festa ou reunião de negros no Brasil. Por esse motivo, antigos Babalorixás e Yalorixás evitavam chamar o "culto dos orixás" de Candomblé. Eles não queriam com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo a palavra Candomblé foi aceita e passou a definir um conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas.
A palavra Candomblé possui 2 (dois) significados entre os pesquisadores: Candomblé seria uma modificação fonética de "Candonbé", um tipo de atabaque usado pelos negros de Angola; ou ainda, viria de "Candonbidé", que quer dizer "ato de louvar, pedir por alguém ou por alguma coisa".
Como forma complementar de culto, a palavra Candomblé passou a definir o modelo de cada tribo ou região africana, conforme a seguir:
Candomblé da Nação Ketu Candomblé da Nação Jeje Candomblé da Nação Angola Candomblé da Nação Congo Candomblé da Nação Muxicongo
A palavra "Nação" entra aí não para definir uma nação política, pois Nação Jeje não existia em termos políticos. O que é chamado de Nação Jeje é o Candomblé formado pelos povos vindos da região do Dahomé e formado pelos povos mahin.
Os grupos que falavam a língua yorubá entre eles os de Oyó, Abeokuta, Ijexá, Ebá e Benin vieram constituir uma forma de culto denominada de Candomblé da Nação Ketu.
Ketu era uma cidade igual as demais, mas no Brasil passou a designar o culto de Candomblé da Nação Ketu ou Alaketu.
Esses yorubás, quando guerriaram com os povos Jejes e perderam a batalha, se tornaram escravos desses povos, sendo posteriormente vendidos ao Brasil.
Quando os yorubás chegaram naquela região sofridos e maltratados, foram chamados pelos fons de ànagô, que quer dizer na língua fon "piolhentos, sujos" entre outras coisas. A palavra com o tempo se modificou e ficou nàgó e passou a ser aceita pelos povos yorubás no Brasil, para definir as suas origens e uma forma de culto. Na verdade, não existe nenhuma nação política denominada nàgó.
No Brasil, a palavra nàgó passou a denominar os Candomblés também de Xamba da região norte, mais conhecido como Xangô do Nordeste.
Os Candomblés da Bahia e do Rio de Janeiro passaram a ser chamados de Nação Ketu com raízes yorubás.
Porém, existem variações de Nações, por exemplo, Candomblé da Nação Efan e Candomblé da Nação Ijexá. Efan é uma cidade da região de Ilexá próxima a Osobô e ao rio Oxum. Ijexá não é uma nação política. Ijexá é o nome dado às pessoas que nascem ou vivem na região de Ilexá.
O que caracteriza a Nação Ijexá no Brasil é a posição que desfruta Oxum como a rainha dessa nação.
Da mesma forma como existe uma variação no Ketu, há também no Jeje, como por exemplo, Jeje Mahin. Mahin era uma tribo que existia próximo à cidade de Ketu.
Os Candomblés da Nação Angola e Congo foram desenvolvidos no Brasil com a chegada desses africanos vindos de Angola e Congo.
A partir de Maria Néném e depois os Candomblés de Mansu Bunduquemqué do falecido Bernardino Bate-folha e Bam Dan Guaíne muitas formas surgiram seguindo tradições de cidades como Casanje, Munjolo, Cabinda, Muxicongo e outras.
Nesse estudo sobre Nações de Candomblé, poderia relatar sobre outras formas de Candomblé, como por exemplo, Nàgó-vodun que é uma fusão de costumes yorubás e Jeje, e o Alaketu de sua atual dirigente Olga de Alaketu.
O Alaketu não é uma nação específica, mas sim uma Nação yorubá com a origem na mesma região de Ketu, cuja sua história no Brasil soma-se mais de 350 (trezentos e cinquenta) anos ao tempo dos ancestrais da casa: Otampé, Ojaró e Odé Akobí.
A verdade é que o culto nigeriano de orixá, chamado de Candomblé no Brasil, foi organizado por mulheres para mulheres. Antigamente, nas primeiras casas de Candomblé, os homens não entravam na roda de dança para os orixás. Mesmo os que tornavam-se Babalorixás tinham uma conduta diferente quanto a roda de dança. Desta forma, a participação dos homens era puramente circunstancial. Daí ter-se que se inserir no culto vários cargos para homens, como por exemplo, os cargos de ogans.
Hoje, a palavra Candomblé define no Brasil o que chamamos de culto afro-brasileiro, ou seja: "UMA CULTURA AFRICANA EM SOLO BRASILEIRO".

A ORGANIZAÇÃO DO CANDOMBLÉ NO NOVO MUNDOAntigamente, na Nigéria, os dias da semana eram apenas 04 (quatro) e eram assim denominados:
1º dia - Ójumò Exu 2º dia - Ójumò Ogun 3º dia - Ójumò Xangô 4º dia - Ójumò Oxalá sendo que estes 04 (quatro) dias estavam ligados aos 04 (quatro) pontos cardeais:
1º a leste onde habita Exu 2º ao norte onde habita Ogun 3º a oeste onde habita Xangô 4º ao sul onde habita Oxalá
Como se pode observar, os yorubás tinham sua própria semana organizada que foi modificada ou adaptada à semana ocidental. Isto aconteceu porque não se manteve a tradição milenar de apenas 04 (quatro) dias.
Quando o Candomblé foi estabelecido na Bahia por Yanassó teve-se que se adaptar, como foi visto anteriormente, o culto para os moldes ocidentais, ou seja, cultuar vários orixás no mesmo espaço. Com esta junção, criou-se o que foi chamado Ójumò-osé ou dia de limpar ou ainda Ójumò-uenumó ou dia do descanso. Essa distribuição foi feita da seguinte forma:
2ª feira cuidaria-se de Exu e Omolu 3ª feira cuidaria-se de Ogun e Oxumarê 4ª feira cuidaria-se de Xangô e Oya 5ª feira cuidaria-se de Oxossy 6ª feira cuidaria-se de Oxalá No sábado seria a vez de se cuidar de todas as Yas ou Mães que seriam: Oxum, Yemanjá, Nanã, entre outras. Já no domingo, cuidaria-se de Ibeji.
Esta distribuição foi feita para que cada Omon-orixá tivesse seu orixá ligado a um dia da semana e nesse dia esse omon-orixá estivesse na casa de Candomblé para prestar culto ao seu orixá, não fugindo assim com a sua responsabilidade de cuidar de seu orixá.
Como comprovam vários estudiosos da cultura africana, não só houve a adaptação da semana yorubá para a semana ocidental, como uma série de cerimônia e ritos da religião de orixá tiveram que se adaptar ao Novo Mundo, conforme mostra o próprio ritual de iniciação que na Nigéria é feito em aldeias que ficam no interior das florestas.
Outra adaptação feita para o Brasil foi o do Jogo de Búzios. Enquanto no culto de orixá na Nigéria apenas o Babalawo faz o culto à advinhação e é ele, por determinação de Ifá, quem orienta todos os acontecimentos dentro do egbé; no Brasil, o jogo de búzios foi uma modalidade criada pelo Olwô Bamboxé para as mulheres ou Yalorixás da época.

AS VARIAÇÕES DAS TRÊS NAÇÕES:
JEJE, KETU E ANGOLA
Dos muitos grupos de escravos vindo para o Brasil, 03(três) categorias ou nações se destacaram:
Negros Fons ou Nação Jeje Negros Yorubás ou Nação Ketu Negros Bantos ou Nação Angola Cada uma dessas 03 (três) nações tem dialeto e ritualística própria. Mas, houve uma grande coligação entre os deuses adorados nessas 03 (três) nações, por exemplo:
Na Nação Jeje os deuses são chamados de Voduns Na Nação Ketu, de Orixás Na Nação de Angola, de Inkices.
Texto retirado do Site "Povo de Santo".

Nigéria - Berço da Cultura Yorubá e dos seus deuses Orisás

Nigéria, oficialmente República Federal da Nigéria, é uma república constituicional federal, compreendendo trinta e seis estados e um Território da Capital Federal. O país é localizado na África Ocidental e compartilha fronteiras terrestres com a República de Benin no oeste, Chade e Camarões no leste, e Níger ao norte. Sua costa está no Golfo da Guiné, uma parte do Oceano Atlântico, ao sul. A capital é a cidade de Abuja. Os três maiores e mais influentes grupos étnicos na Nigéria são os Hauçás, Igbos e Iorubás.O povo da Nigéria tem uma extensa história; evidências arqueológicas mostram que há habitação humana da área se remonta a, pelo menos, 9000 a.C. Ketu é um local histórico, em nossos dias República do Benim. É uma das mais antigas capitais do povo de língua Yoruba, o rastreio mitológico de sua criação é uma solução fundada por uma filha de Oduduwa. Os regentes da cidade eram tradicionalmente estilo "Alaketu", e se acredita estar relacionado com o sub-grupo Egba dos falantes de língua Yoruba na Nigéria nos dias de hoje.Ketu é considerado um dos sete reinos originais estabelecidos pelas crianças de Oduduwa na mítica história de Oyo, embora esta antiga ascendência foi um tanto negligenciada na investigação histórica contemporânea Yoruba, que tende a incidir sobre as comunidades na Nigéria. Em todo caso, não há nenhuma dúvida que Ketu e Oyo mantiveram relações amigáveis.O reino foi um dos principais inimigos do ascendente reino do Dahomey, lutando frequentemente contra os dahomeanos como parte das forças imperiais de Oyo, mas finalmente sucumbiu aos Fons na década de 1880 quando o reino foi devastado. Um grande número de cidadãos de Ketu foram vendidos em escravidão durante estas invasões, que esclarece a importância do reino no brasileiro Candomblé.

Associação Beneficente Afrocultural ILE ALAAKETU ÉGBÉ ÓMÓIN ASÉ OIYÁ - ASSOIYA

Oriki ti Oiyá

Oyà A To Iwo Efòn Gbé.Ela é grande o bastante para carrega o chifre do búfalo.Oyà Olókò Àra.Oyà, que possui um marido poderoso.Obìnrin Ogun,Mulher guerreira.Obìnrin Ode.Mulher caçadora.Oya Òrírì Arójú Bá Oko Kú.Oyà, a charmosa, que dispõe de coragem para morrer com seu marido.Iru Èniyàn Wo Ni Oyà Yí N Se, Se?Que tipo de pessoa é Oyà?Ibi Oya Wà, Ló Gbiná.O local onde Oyà está, pega fogoObìnrin Wóò Bi Eni Fó Igbá.Mulher que se quebra ao meio como se fosse uma cabaçaOyà tí awon òtá rí,Oyà foi vista por seus inimigosTí Won Torí Rè Da Igbá Nù Sì Igbó.E eles, assustados, fugiram atirando as bagagens no matoHéèpà Héè, Oya ò!Eeepa He! Oh, Oyà!Erù Re Nikan Ni Mo Nbà O.És a única pessoa que temoAféfé Ikú.Vendaval da MorteObìnrin Ogun, Ti Ná Ibon Rè Ní À Ki KúnA mulher guerreira que carrega sua arma de fogoOyà ò, Oyà Tótó Hun!Oh, Oyà, à Oyà respeito e submissão!Oyà, A P'Agbá, P'Àwo Mó Ni Kíákíá,Ela arruma suas coisas sem demoraKíákíá, Wéré Wéré L' Oyà Nse Ti ÈRapidamente Oyà faz suas coisasA Rìn Dengbere Bíi Fúlàní.Ela vagueia com elegância, como se fosse uma nômade fulaniO Titi Tí Nfi Gbogbo Ará Rìn Bí EsinQuando anda, sua vitalidade é como a do cavalo que trotaHéèpà, Oya Olómo Mesan, Ibá Re Ò!Eeepa Oya, que tem nove filhos, eu te saúdo!